
O Team.Radio é uma banda recifense, formada em 2008, que foge completamente do esteriótipo daquele famoso som do manguebeat. O grupo até pode ser considerado um indie rock, mas, o som que o grupo executa é mais puxado para o som do bom post-rock e do shoegaze, e logo, também é percebido influências de bandas como My Blood Valentine, Radio Dept. e Mogwai.
A banda é formada hoje por Roberto Kramer (guitarra e vocal), Marina Silva (vocal e sintetizador), Tiago Gadelha (guitarra), André Maranhão (baixo) e Artur Bonfá (bateria). Em 2011, eles lançaram o excelente EP, “Summertimme”, que fez o grupo entrar em várias listas de melhores álbuns do ano.
Na entrevista, feita apenas com Marina e Roberto, os dois falaram um pouco sobre o EP “Summertime”, o inicio do grupo e ainda os planos da banda para este ano de 2012.
O que é Team.Radio pra vocês? Como vocês definem o som que fazem?
A formação, o repertório, assim como diferentes “estados mentais” e experiências pessoais, são o que moldam a sonoridade e trabalho de qualquer artista, seja solo, ou em conjunto. A Team.Radio é formada por cinco pessoas com referências musicais distintas, o que tem, cada vez mais, e principalmente durante o último ano, transformado a banda em um espaço de diálogo para todas essas influências. Dessa forma, o nosso som estará sempre propício a mudanças, mas não, necessariamente, de forma muito consciente.
Como foi o inicio do grupo e o que influenciou ou motivou vocês?
O Roberto tinha começado a gravar algumas coisas em casa, e em 2008, ele e Gustavo (nosso ex-guitarrista) resolveram se juntar para trabalhar essas composições. O início foi marcado por meses de ensaio, ora arranjando, ora compondo. Resumindo, foi muito um trabalho de estúdio, até todos se sentirem seguros para o primeiro show. Cada um tinha suas próprias motivações pra estar ali, mas o consenso era a vontade de continuar tocando, de ver aquele trabalho posto em prática.

Eu vi uma nota do Hominis Canidae, falando sobre o EP “Summertime”, dele ser um dos melhores trabalhos brasileiros do ano e que foi disparado o melhor trabalho pernambucano de 2011. Também percebi o álbum de vocês em várias listas de melhores do ano. Como vocês estão reagindo com esses resultados?
O elogio é sempre necessário, pois é uma grande parcela do que te motiva a continuar trabalhando. Conosco, não acontece de forma diferente. As listas têm sido importantes desde o “White Tokyo”, na verdade, por ajudarem a pôr a banda em um nível de relevância nacional (e, porque não, internacional?). Dentro do espaço de blogs e sites especializados em música independente, é um quase um “certificado de qualidade” para os novos trabalhos. Acaba sendo também uma das principais formas de chamar atenção nas mídias sociais. São pelos compartilhamentos “virais” de algumas dessas listagens que o seu nome vai se tornando comum para alguns frequentadores e a banda consegue girar do norte ao sul e até extrapolar as fronteiras do país, como já aconteceu algumas vezes.
Vocês tinham lançado um EP antes do “Summertime”, algo mudou no processo de composição? Como ele se deu?
A principal mudança do White Tokyo (2010) para o Summertime (2011) foi a entrada de Marina (vocal, sintetizadores) na banda. As músicas foram mais trabalhadas, também, em termos de complexidade nos arranjos. Outra coisa, é que no primeiro EP, nós nos deixávamos ser levados pelas nossas influências de forma muito direta, já no Summertime não buscamos referências de som na guitarra de “fulaninho”, ou uma bateria lo-fi daquela banda dos anos 80, etc. Foi tudo resolvido na mixagem, nas ideias do momento da mix. A banda ganhou mais “personalidade”, digamos.
Mas do Summertime até aqui, outras mudanças já aconteceram. Começamos a usar mais os ensaios para trabalhar composições em conjunto, diferente das canções dos EPs anteriores, que muitas vezes chegavam prontas e a banda se reunia para definir os arranjos. É como dissemos anteriormente, estamos cada vez mais interessados em trabalhar a troca de experiências, em dar mais dinâmica às músicas. E esse sistema tem funcionado, o nosso próximo lançamento é um dos resultados.
Quais são os planos do grupo para este ano de 2012?
Esse ano, já gravamos um single, que se chama “Stomy Melodies” e será lançado em breve, junto com o clipe da música. E os planos são começar a gravar um disco (full-length), tocar em alguns festivais legais, lançar mais video-clipes e fazer com que o nosso trabalho se espalhe cada vez mais, pra que o máximo de pessoas ao redor do mundo possam ouvir. Além de óbvio, parece simples, mas não é muito, não. (rs)

A Team.Radio está preparando uma turnê no nordeste em breve? Tem alguma data de show agendada?
Apesar da vontade, não temos ainda um plano para turnês. Pensamos muito em rodar por alguns estados, principalmente aqui pelo nordeste, por ser mais acessível e também por não termos tocado em muitos lugares. Esse ano, recebemos propostas para gravar alguns programas no sudeste (já fomos pra SP em duas ocasiões, em 2009 e 2011). Iremos trabalhar até o resto do ano, tentar conseguir shows com retornos financeiros, para poder realizar essas viagens.
Que tipo de bandas vocês estão escutando ultimamente e gostariam de divulgar para os leitores do Atividade FM?
(Roberto) Estou ouvindo muitas coisas, mas sempre acabo o dia ouvindo os mesmos artistas. Alguns desses são: Beach Boys, Toe, Wondermints, Neil Young, Neal Hefti, Count Basie. Ouvi uma session do Miles Davis linda nesses últimos dias, chamada “In a Silent Way”, recomendo.
(Marina) Meu playlist, na verdade, anda bem aleatório. Ultimamente eu tenho me servido basicamente das últimas atualizações de sites/blogs de música, sem necessariamente investigar muita coisa a fundo. Os últimos discos que ouvi no repeat foram o “Slave Ambient”, do The War On Drugs; “Some Kind of Pareidolia”, da This Lonely Crowd e dois últimos albuns de inéditas do Koop.
Créditos fotos:
Fotos 1 e 2 : Deborah Bonfá
Foto 3: Marcelo Soares
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