
Por: Felipe Matheus
Depois do muito ócio neste carnaval, decidi sair de minha casa, em João Pessoa, para vivenciar o encerramento do famoso e multicultural carnaval recifense. Fiz um programação para não perder os shows que estava com curiosidade de assistir e todas as atrações que escolhi ver, coincidentemente, começavam com a letra “C”. Como foi minha primeira e única noite no Recife, li sobre os polos multiculturais antes de sair de casa e comecei a programar os shows deste dia, que teria Cibelle, Criolo, Yusa (Cuba) e Dona Odete no ótimo Rec Beat, no Cais da Alfandega, e também, apenas a uns 15 minutos de andanças aventuradas entre ruas esquisitas que ligam os pólos, o show do China e da famosa “Beyoncé do Pará” Gabi Amarantos, no Pátio de São Pedro.
Para começar a noite, logo após a apresentação de uma grande batucada de ritmos regionais pernambucanos do Lucas e Orquestra dos Prazeres, entrou no palco a paulista meso-inglesa, Cibelle, lançando o seu novo álbum, “Las Vênus Resort Palace Hotel” (2011), no Recife fervilhando em seu carnaval. Com certeza um acerto nesta noite. A música de Cibelle tem várias influências como de Tom Jobim, Jackson do Pandeiro e da islandesa Björk. Com essas diversas influências a cantora se tornou uma das novas representantes da Bossa Nova e do Tropicalismo pela Europa onde é mais conhecida.

Entre as músicas deste novo álbum, Cibelle pega pesado ao vivo no ritmo de carnaval, encarnando a personagem Sonja Khalecallon - uma espécie de Carmen Miranda “intergaláctica”, e suas músicas passam do freak folk ao pop tropicalista das guitarras. Ela estava inquieta, apesar do dedo quebrado, não parava de dançar e fazer poses sensuais, sempre se comunicando com o público, querendo colocar todos para dançarem com aquelas frases clichês de carnaval: “Essa é pra sair do chão”, “Essa é pra dançar agarradinho”. Fez um show divertido e com a excelente vibe carnavalesca.
Logo após, o termino do show da Cibelle, fui caminhando ao pátio de São Pedro a espera do novo show do China, do ótimo álbum “Moto Contínuo”, lançado em 2011. O cantor entrou no palco com seu novo corte de cabelo e um pouco de atraso, sem ao menos dar boa noite e foi logo executando uma das melhores faixas de seu novo disco, “Boa Viagem”, onde a letra fala sobre a realidade do crescimento da cidade do Recife: “Quando os prédios cobrirem o sol e o céu desaparecer, placas lhe dirão boa viagem”. Um faixa que faz lembrar a essência Nação Zumbi com diferencial de uma mistura da música eletrônica com um bom “riff” de guitarra no meio.

O músico e também apresentador da MTV, executou ainda músicas mais sossegadas do álbum como “Overlock” e “Mais Um Sucesso Para Ninguém”, com a participação no show da ótima voz de Ylana Queiroga. Claro, ainda foram tocada a mais dançante“Só serve Pra Dançar”, e as faixas medianas “Nem Pensar em Você”, “Distante Amigo” feito para o amigo Rafael “Pirulito”, membro do Mombojó, que faleceu em 2007. O som da apresentação estava perfeito, contava com um público fiel e animado, sempre pulando e cantando junto as músicas. No meio da apresentação até rolou uma ciranda.
Acabado o show do China, voltei ao Cais da Alfandega, local do Rec Beat, onde veria o “principal” show da noite recifense neste dia, o Criolo. Assisti anteriormente seu show no festival Planeta Terra, em novembro de 2011 e a curiosidade de vê-lo num evento em lugar e atmosfera completamente diferente me fez, inevitavelmente, comparar esta apresentação com a passada. O Criolo subiu ao palco às 0h30 da madrugada e o show começou da mesma forma como do Planeta Terra, a faixa “Mariô” sendo executada e logo em seguida a música “Sucrilhos”. As duas muito bem recebidas pelo público que cantou junto e aplaudia tudo.

O cantor entrou no palco com a camisa da banda de punk rock local Devotos acompanhado pelo Dj e companheiro da rinha de MCs, Dj Dan Dan. Os dois são sempre frenéticos no palco: pulam, brincam, pedem pro público cantar e bater palma.
Logo veio a música “Subirodoistiozin”, eleita por nosso blog como uma das melhores do ano de 2011. Todo público jogou mãos para o alto, faz coro, e saltitou no momento. Logo me veio na cabeça como os fãs do Criolo estão parecidos com os do Los Hermanos, daqui a um tempo o rapper provavelmente realizará shows Karaokê, onde os fãs cantam mais alto que os amplificadores. Era esperado essa reação do público já que era o show mais falado desde que foi anunciado na programação do Rec Beat.
A apresentação seguiu com a faixa “hype” do cantor, “Não existe Amor em SP”. A música que mostrou Criolo a todo Brasil, que tornou o Criolo o que ele é hoje, que ele cantou junto ao Caetano Veloso no VMB.
Antes de tudo devemos entender que o Criolo possui outro disco lançado em 2006, “Ainda há tempo”, ainda com o nome de Criolo Doido. No repetório de seu show ele não utiliza nenhuma dessas músicas, são apenas apresentadas faixas do “Nó na Orelha”, considerado por muitos o melhor álbum de 2011. O disco foi produzido pelo tecladista do grupo e produtor Daniel Ganjaman junto com Marcelo Cabral. Depois do lançamento deste o Kleber Cavalcante hoje perdeu a “doidice” e se tornou apenas o Criolo.
Ganhou a mídia nacional, tem seu show assistido e reverenciado pelos expectadores da MTV, internautas consumidores de hypes e ainda dos “intelectuais” que valorizam seu discurso político e suas letras impactantes. No show do Rec Beat se via isso: um público bastante diversificado, de “hipsters” a “regueiros”, eles agiam da mesma maneira e se respeitavam. Um comportamento bem interessante.
Kleber ainda vestiu a camisa de Pernambuco, falou sobre preconceito com os nordestinos e ainda assumiu vinculo familiar com o nordeste: “Não tem nada de mentira, meus pais são nordestinos”, como precisasse provar algo para ganhar ainda mais o público. Perto do final do show ainda teve uma homenagem a Chico Buarque, Criolo improvisou um rap na melodia da música “Cálice”. No afim teve bis com a única música do álbum que faltava, “Lion Man”.

Créditos fotos:
Fotos divulgação Rec Beat por Caroline Bittencourt
Foto divulgação Prefeitura do Recife: China por Lú Streihorst
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Parabéns pela resenha, Felipe. Desses três, só vi o show do Criolo, mas tenho certeza que foi o melhor do dia (o terceiro melhor do carnaval eu diria). Queria eu ter disposição pra escrever sobre as coisas que eu vejo. hehehe
Ah, só pra lembrar: no meu entendimento em nenhum momento na paráfrase de Cálice criolo condenou o uso de drogas. No máximo ele pede pra ficar afastado da cocaína, o que não me parece ser uma crítica a quem usa. Colocar todas as drogas ilegais num balaio só é uma tática do proibicionismo para justificar a ilegalidade delas. Precisamos combater isso. Cada droga é uma droga. Incluvise nas próprias músicas e no show do criolo há referências não-negativas sobre a maconha, por exemplo.
Abraço e toca pra frente o trabalho!
Opa, Lucas, muito obrigado, é sempre bom ter esse reconhecimento. Bom, me desculpe, devo ter interpretado mal então o refrão da música. Valeu pelo toque e já ajustei o texto Abs.