Os Reis, Camarones e Móveis marcam os shows de abertura do Festival Mundo 2011

Móveis Coloniais de Acaju

Abertura do Festival Mundo, por Rafael Passos

A abertura do Festival Mundo concentrou nomes queridos pelo público paraibano dentro da música independente, com shows que passaram muita energia e diversão. A receptividade do festival está tão grande que as vendas antecipadas esgotaram completamente em todos os pontos de venda e o retorno que o público teve foi de equivalência tão grande quanto.

Além de disseminar a música produzida de forma independente, o Festival Mundo está focado, também, nas artes visuais, cênicas, palestras, mostras audiovisuais, feiras culturais e workshops para alimentar, como for possível, a fome que temos dessa cena independente.

Unindo essas preocupações do festival, Móveis Coloniais de Acaju veio realizar o show de abertura do evento pelo projeto “Rotas Musicais”, patrocinado pela Petrobrás, e trouxe na bagagem Camarones Orquestra Guitarrística. Além do show, super almejado pelo público, o Móveis aproveitou para realizar, no mesmo dia do show, um debate sobre o mercado musical, dialogando a partir do pressuposto de que o público é tão importante quanto a banda e marcando essa edição do festival, logo de início, como uma grande e produtiva troca de idéias sobre a cena independente do Brasil.

Os Reis da Cocada Preta, por Rafael Passos

“Se esse medo eu não perder, vão ver que eu parei”. Em “Monólogo sobre a Mudança”, canção presente no show, Os Reis da Cocada Preta cantaram não apenas aquilo que fez a composição se concretizar, mas também o momento tenso que a banda passou quando seu baterista, Diego Miranda, sofreu um acidente de moto, machucou o pulso e recebeu o diagnostico de que não poderia mais tocar bateria. Após 8 meses de recuperação, fisioterapia intensiva e apoio dos integrantes da banda e dos fãs, Os Reis conseguiram, finalmente, voltar ao trono para distribuir cocada e música ao povo.

Este mesmo monólogo retrata a evolução da banda, que batalha pelo crescimento e disseminação da produção independente na Paraíba. Os estímulos para que eles continuem e cresçam são tão fortes, que os paraibanos concentram suas energias e soltam tudo nos shows.

Com perceptível evolução e amadurecimento de seu som, Os Reis passaram desde influências indie até o rock alternativo, com fãs na frente do palco cantando hits como “Esse é o Meu País” e  “Quebra-cabeça”. A banda fez um show sem erros, com um setlist bem escolhido e integrantes muito instigados, entusiasmando os primeiros que chegaram nesta abertura do Festival Mundo.

Camarones Orquestra Guitarrística, por Rafael Passos

Entre o show definitido de abertura d’Os Reis,  aconteceu uma conversa breve entre a  imprensa e a Camarones Orquestra Guitarrística, mostrando o prazer que a banda tem em fazer shows. Quando encerramos a coletiva, Ana Morena (baixo) fez um comentário que soou como um pensamento alto: “agora a gente vai TOCAR, yeah”.

Foi nessa instiga que os carismáticos integrantes subiram ao palco e começaram um show de alta qualidade. A banda instrumental não deixa a desejar em nenhum aspecto. Pela primeira vez tocando num palco no formato do Teatro de Arena, demonstraram uma sincronia incrível com as jogadas de cabelo de Ana Morena junto com dancinhas ensaiadas entre a baixista e Karina Monteiro (guitarra), o carisma de Anderson Foca (teclados e efeitos), o foco dançante de Leo Martinez (guitarra) e as batidas certeiras do Artur Porpino (bateria) que compuseram um show divertido e chamativo.

Fazendo o público dançar desde rockabilly, passando de forma bem humorada pelo calypso, até ensinar todos a baterem cabeça sob comando de Foca, os potiguares despertaram curiosidade e interesse no público, fazendo parecer incrível toda essa energia que tiveram nos 110 shows que contabilizaram em 2011. Cervejas geladas, suor e dancinhas divertidas eram acompanhamentos perfeitos para a banda que abriu para a atração principal da noite, que viria a seguir.

Móveis Coloniais de Acaju, por Rafael Passos

“Muito Prazer/ Eu sou você amanhã”. O Móveis Coloniais de Acaju já entrou com uma frase que se descontextualizou do pessimismo nato da música “Esquilo não Samba” e pareceu um cumprimento aos fãs que tem a banda, suas melodias e letras como influência.

O teatro de Arena agora estava repleto de gente. Via-se tanto um público que ficava de pé, desafiando as leis da física por um espaço na frente, quanto um palco que mal comportava os nove brasilienses e toda sua energia. Carismáticos, brincalhões e músicos sensacionais, conseguiram utilizar a euforia de todos presentes a seu favor; com ‘olés’ na platéia, brincadeirinhas com braços pra-lá-e-pra-cá, canto de ‘paralalás’ e palmas se unindo com um coro forte e unissono de todas as músicas, o show de Móveis colocou todo mundo pra dançar em alguns momentos. Contagiante.

O espetáculo já tinha acontecido no mesmo festival, há um ano atrás, mas nesta edição, em uma troca de ideias entre a banda e o público, Xande Bursztyn (trombone) perguntou quem tinha ido pela primeira vez ao show e metade do (grande) público levantou as mãos, mostrando as proporções incríveis que o Festival Mundo tomou de uma edição para outra. A atração se repetiu, mas o que deixou esse ar de eufórica-novidade foi a platéia que se renovou.

Móveis Coloniais de Acaju, por Rafael Passos

Os que já viram os shows passados da banda em João Pessoa e conhecem de cor seu trabalho se depararam com “Aconselho” uma música inédita da banda que estará presente no álbum previsto para ser lançado em 2012, e com a também inédita “Dois Sorrisos”, produzida e gravada em parceria com Leoni. Fora isso, o show que durou quase o dobro além do programado teve seus clássicos,  com Paulo Rogério (Saxofone) e André Gonzáles (vocais) no meio da galera, formando a rodinha quase sem possibilidade de movimento em “Copacabana”, mais os singles “Perca Peso”, “Cão-Guia”, “Indiferença” e “Bem Natural”.

“Distante é devagar/ Perto passa bem depressa assim”, lógico que o hit “O tempo” não poderia faltar, compondo a sensação que o show passou quando terminou. A banda até gostaria de fazer uma apresentação mais prolongada, porém, por motivos de horário e local, tiveram que deixar o palco sem aquele convencional bis.

Mais fotos do show aqui.

4 thoughts on “Os Reis, Camarones e Móveis marcam os shows de abertura do Festival Mundo 2011

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