“Camisa preta é camisa preta em qualquer lugar, saca?” Foi assim que Jimmy, vocalista da banda Matanza, descreveu seus shows num encontro com a imprensa, um dia antes da sua apresentação em João Pessoa. A sentença faz sentido e em João Pessoa não podia ter sido diferente. O Matanza convidou dezenas de “camisa preta” da cidade e do interior da Paraíba ao Clube Cabo Branco, para um dos maiores shows de rock do ano (até agora).
Ônibus de cidades interioranas ladeavam os estacionamentos da frente do Clube, aos poucos lotando o lado de fora. Mais de 1500 pessoas de cidades como Macaparaná, Santa Rita, Guarabira, São Bento uniam-se ao público conhecido da capital, esperando com ansiedade o grande show da noite. Quando o Cerva Grátis começou a tocar, muitas “dessas galeras” já estavam lá dentro, na grade em frente ao palco (vulgo gargalo), explodindo de ansiedade para ver o show.
Cerva Grátis
Com um som impecável, digno de shows de estádio, a banda Cerva Grátis abriu a noite com uma grande apresentação. Parecia que André, vocalista e guitarrista, estava num RockInRio de 79′, pulando alto no palco, virando latas de cervejas furada por baixo, instigando a galera, jogando a guitarra e, claro, batendo cabeça. Seus parceiros também acompanhavam o clima do garoto: Rayan, baterista, quebrando tudo e deixando todo mundo previamente surdo com vários solos; e João Paulo, baixista, dando pulos quase tão altos quanto o teto da quadra e destruindo os tímpanos com seu baixo impecável.
É claro que as clássicas “Tem Homem Demais” (segunda música que começou a convidar a galera de fora) e “Fiquei Com o Ovo Doendo” (que arrancou letras e gritinhos até mesmo das meninas) estavam lá, assim como a mais stoner e sentimental “Você Me Deixou”. Até mesmo em “Rock Pauleira”, que mesmo sendo inédita, parecia já está na cabeça da galera. Uma grande roda já estava formada logo no começo do show, mas foi quando eles começaram os primeiros riffs de uma das mais pesadas músicas do Raimundos, “Andar na Pedra”, que muita gente começou a se aproximar. Era o peso do rock metaleiro já incidindo sobre o clube, vindo das batidas do bumbo da bateria e dos riffs das cordas da guitarra e baixo.
Rouco, gritado, pesado, muito mais instrumental e com direito à vários solos de guitarra, baixo e bateria, o Cerva Grátis agradeceu ao seu público fiel, à galera de outras cidades que vieram ao show, principalmente os de Tibiri, que instigaram pogando do começo ao fim. E assim terminou um dos shows mais pesados da grande banda paraibana.
Matanza
A pausa para descanso parecia não acabar mais. Quem desse as costas para o palco e, em dois segundos, se voltasse, ficaria no mínimo impressionado com o tanto de gente que de repente lotou a quadra do Clube Cabo Branco. À base de aplausos calorosos, gritaria sem fim e muita instiga, a banda do Matanza entrou no palco já arrancando riffs de “Remédio Demais“, abertura ideal para shows do novo disco. Jimmy London, o homem por trás da voz gutural que destaca o Matanza, entornou cinco músicas sem parar, virando todas juntas numa golada só.
A roda de pogo formada desde a primeira música seguiu ritmada de acordo com a música, mas sem parar, fazendo um redemoinho eterno de cabeludos, camisas pretas, sangue, suor e cerveja. Instigando a galera do começo ao fim, com sua simpatia quase infantil, Jimmy fez brincadeiras com o público, perguntando coisas como “Difícil não é a galinha andar pra trás. Difícil mesmo é lembrar o nome do novo disco do Matanza“, além de interagir com seus parceiros de banda, entoando solinhos de guitarra e baixo. A bateria impecavelmente complicada era destruída por Jonas, “o homem do bigode”, enquanto que o baixista destruía seu instrumento e a si mesmo, num show longo e muito bem trabalhado.
Misturando “Carvão, Enxofre e Salitre” com um “Rio de Whisky”, a banda aproveitou todos os álbuns no setlist, tocando desde as clássicas “Eu Não Gosto de Ninguém” (música da vinheta do show), “Bom É Quando Faz Mal”, “A Arte do Insulto” e “Ela Roubou Meu Caminhão”, até as mais recentes “Escárnio”, “Tudo Errado”, “Saco Cheio e Mau-Humor” e “Ela Não Me Perdoou”, a banda transformou o Clube Cabo Branco num verdadeiro reinado de heavy metal e hardcore. A roda de pogo não parava nem mesmo em músicas que nunca haviam sido tocadas em qualquer outro show da banda, como “Amigo Nenhum”.
Fazendo piadinhas, parando as músicas, deixando todo mundo enlouquecido de rock’n'roll, a banda fez um show pesado, longo (duas horas e quinze), transformando o Clube Cabo Branco num verdadeiro “Clube Dos Canalhas”. Destruindo corpos, ossos, grades, instrumentos e vocais, esse talvez tenha sido o melhor show que o Matanza já fez em João Pessoa.
Tal evento só comprovou que a Paraíba também é feita de muito rock’n'roll, seja ele mau-humorado, bêbado, louco, dançante ou apenas instigado, a cultura roqueira tanto do interior quanto da capital está reinando. E só tem a crescer.
Gostaria de agradecer, de coração, à excelente organização da equipe RockSette por promover um evento deste tamanho e grau. E que venham os próximos, e que sejam prósperos!
Veja vídeos dos shows:
Cerva Grátis – O Castigo
Matanza - Meio Psicopata




senti o rock passando na veia meu amigo! Esse show vai ficar na história!
Não tocou Escárnio e o show não foi longo… ¬¬’