
Depois de não terem conseguido entrar nos EUA para tocar no Festival SWSX, o Zefirina Bomba ganhou público oficial no Brasil e anda crescendo cada vez mais no cenário independente. Tocando o mesmo “rock sujo e barulhento” que muita gente já conhecia desde 2003, ano do primeiro EP “Demo 2003 (primeiro registro sonoro de fato!!)”, e 2006, quando lançaram o primeiro disco oficial, e mais famoso, “NOISECOREGROOVECOCOENVENENADO“, os garotos não perderam a identidade e continuam surpreendendo muita gente, sempre que toca em palcos novos pelo Brasil. Atualmente, o Zefirina Bomba tornou-se uma banda essencial para qualquer pessoa que queira viver no mundo underground do rock nacional.
Por isso, conversamos com o Ilson, ”vocalista” e “guitarrista” principal da banda, sobre tours, shows e a viagem aos Estados Unidos da América.
Vocês do Zefirina Bomba estão residindo atualmente em São Paulo. E como é, para você, Ilson, sempre que volta a João Pessoa, remontar a banda com outros músicos locais? Os outros integrantes não ficam com ciúmes?
Ciúme é coisa de emo. O lance é que Guga acabou de ser pai e ficou em Sampa pra cuidar da filha, normalmente ele sempre viaja comigo. Martim é que geralmente não pode ficar tanto tempo fora de São Paulo, então
sempre chamo Edy (que junto com Guga montou comigo a Zefirina Bomba) que na minha cabeça sempre fez parte da banda. Quando precisamos de alguém pra recompor a formação, chamamos sempre amigos (foi assim no Rio Grande do Sul, com Poly, baixista do Megadrivers, e nas duas últimas vezes no nordeste, com Elmon e Rayan pra bateria).
Vocês vivem de música hoje e cuidam da própria administração da banda?
Esse negócio de viver de música não foi idéia, foi necessidade. Morando fora você tem que se virar e isso realmente não é fácil. Até o primeiro disco (Noisecoregroove…) sair, ralamos muito, e hoje temos uma condição boa pra organizar nossas idéias, bancar nossos projetos e viabilizar com o selo (SubFolk), coisas que gostamos!
Você acha que ainda é necessário ir a São Paulo para uma banda ter mais visibilidade?
Moro em São Paulo por que gosto. Aqui tenho oportunidade de assistir coisas que não chegam a João Pessoa (filmes, shows, mostras, exposições). Além disso, estou há 6 horas de BH/ RJ/ (podemos fazer shows no sul ou em Brasília a qualquer hora. Ex: O Walverdes estava lançando material e liga convidando “isso aconteceu”. Daí pegamos o carro e fomos lá! Foi foda!) Em João Pessoa ficaria bem complicado. Quanto a visibilidade, não acho que faça diferença.
Como foi montar o selo Sub-folk? Todos da banda são envolvidos?
O SubFolk era um lance pra mais tarde. Eu pensava em ter um selo pra quando eu enchesse o saco de viajar e tocar, mas em 2009, quando a gente começou a pensar no segundo disco, ficou claro que a melhor forma de lançá-lo era por conta própria, pra não depender de distribuidora ou de preços absurdos (O “noisecoregroove…” chegou nas lojas a 28 reais!). Fizemos esse com a idéia de ele chegar a, no máximo, 17 reais nas lojas. Isso realmente pesou. E o SubFolk foi a melhor saída, por que podíamos gravar com os melhores caras (como fizemos com Rafael Ramos) e o disco chegaria a um preço justo.
Como você vê a cena independente de João Pessoa? Você acha que ainda tem muito a crescer?
Acho que existem ótimas bandas (Scary Monsters, Squizopop, Not Dead). O SubFolk vai lançar um material apenas com bandas da Paraíba (chamado “Engrossando o caldo”). Pra mim, o mais importante é a continuidade, e mais iniciativas.
Vocês recentemente foram chamados para tocar no SXSW. Isso, para qualquer banda, deve ser uma imensa felicidade. Mas vocês tiveram um problema com visto, né? Como foi lidar com isso? Vocês ficaram decepcionados? Se fossem convidados novamente para tocar nos EUA, vocês tentariam novamente?
Já temos outros convites pra tocar lá, mas não vamos mudar nosso release, então, se o governo americanos quiser aceitar, tudo bem. Temos uma tour européia programada pra setembro e lá não temos nenhum problema (Poetry marginal, Subversive). Ou a maior burrice americana, quando eu explico que em 2002 eu não tinha dinheiro pra comprar uma guitarra (as he had no money to buy a guitar) eles imaginaram:
marginais/ subversivos e lisos, heheheheheh. Mas o SWSX, nós queremos ir no ano que vem, não sei como isso vai ser. É aguardar.
Quais são os planos do Zefirina para este ano? Levar a música para outros países, fazer mais turnês nos Brasil ou gravar um novo material? O que vocês pensam como meta para a banda neste ano?
Primeiro gravar o compacto 7″ [vinil mesmo, com 6 músicas] aqui em Sampa com o Clayton Martins. E, claro, tocar por aí…
Qual é o público que curte o som do Zefirina?
NÃO SEI… Acho que desajustados, pessoas legais, nerds, idiotas, descrentes talvez alguns políticos, porque não…
Obrigado Ilson pela entrevista, e pode usar este espaço para indicar outras bandas ou agradecer a algumas pessoas.
valeu pelo espaço, vou deixar aqui uns links legais ouçam o Valdez de Taguatinga – DF, os HONKERS e os ORANGE DISASTER.
Confira um vídeo abaixo e baixe aqui uma música nova e um EP de Natal dos caras.
Zeferina Bomba – Sopa
boa entrevista, bem explicativa.
valeu ilsom maluco! =D